SUBSTANTIVO, ADJETIVO OU ADVÉRBIO

Nosso idioma é composto por inúmeras regras gramaticais e morfológicas, certo? Na verdade, são tantas e tão diversas que é fácil sentir-se perdido quanto tentamos estuda-las. Dentro da morfologia, por exemplo, podemos classificar a mesma palavra como substantivo, advérbio ou adjetivo. Por vezes, a linha divisória entre tais demarcações é muito tênue, posto que cada uma dessas três categorias pode impactar enormemente nas outras. Confira, portanto,  algumas dicas que o ajudarão a compreender essas três classes e como elas dialogam entre si!

Substantivo ou Adjetivo?

 Tudo que existe precisa ser nomeado, não é mesmo? Esta é justamente a função do substantivo: nomear objetos, pessoas, lugares, qualidades, sentimentos… enfim, a lista é enorme. Palavras como cidade, São Paulo, abajur, apatia nada mais são do que substantivos e cumprirão uma função bem específica na frase.
 Sabemos que os substantivos estão divididos entre comuns, próprios, concretos e abstratos. Se “cidade” é um substantivo comum por designar seres ou objetos de uma mesma espécie, então “São Paulo” é um substantivo próprio por nomear uma cidade de forma bastante específica. Enquanto abajurconstitui substantivo concreto, por designar um objeto tangível e material, apatia é um sentimento, ou seja, uma manifestação abstrata que precisa mostrar-se em algo concreto para ser detectada.
 Segundo o Dicionário de usos do português do Brasil, de Francisco S. Borba, temos o substantivo como uma “palavra que por si só designa a substância, ou seja, um ser real ou metafísico; palavra com que se nomeiam os seres, atos ou conceitos.” Agora veja o exemplo retirado da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas:
 “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” (Machado de Assis)
 A palavra miséria é um substantivo abstrato, pois trata-se de uma condição ou, como diz a frase, de um legado humano. Se adicionarmos, no entanto, o sufixo “vel” e transformarmos miséria em miserável, teremos, ao invés de uma condição em encerrada em si, uma característica, ou seja, um adjetivo.
 O adjetivo vem sempre associado ao substantivo e tem a função de qualificá-lo, isto é, de atribuir-lhe determinada característica. Conforme mencionado anteriormente, se transformarmos a palavra miserável em uma característica de legado, chegaríamos facilmente em: não transmiti a nenhuma criatura nosso miserável legado

Advérbio, talvez?

 Sabemos que o advérbio é uma classe de palavras ligada ao verbo, ou seja, à ação da frase, e cumpre a função de contextualizar o acontecimento no tempo e no espaço, bem como designar sua intensidade. Mas não é apenas o sentido do verbo que o advérbio influencia! Grave bem: ele pode alterar adjetivos e também substantivos.
 Ainda utilizando a excelente citação de Machado, podemos adicionar intensidade ao modificarmos a estrutura para: não transmiti a nenhuma criatura o legado miseravelmente nosso. Neste exemplo, o advérbio miseravelmente está modificando ambos o substantivo legado e o pronome adjetivo nosso.

Compreender a língua portuguesa a ponto de “brincar” com as funções morfológicas das palavras em uma frase exige muito estudo, paciência e perseverança. Na obra de Machado, conseguimos facilmente detectar esse domínio. Seus contos e romances podem servir, portanto, como fonte para que você possa desmistificar nossa gramática e aprofundar seus conhecimentos dela.
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