De vendedor de coxinhas a Auditor Fiscal do Trabalho

Olá queridos amigos concurseiros. Hoje vou compartilhar um pouquinho da minha experiência como concurseiro e relatar minha trajetória até o atual cargo de Auditor Fiscal do Trabalho. Me chamo Kleber Peteá. Minha jornada de concurseiro começou mais ou menos há 13 anos e foi mais ou menos assim:

Em 2004 fui aprovado no concurso para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), a qual me permitiu posteriormente ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e me tornar Oficial de Carreira do Exército Brasileiro, bacharel em Ciências Militares. Na AMAN me especializei em Intendência, curso específico voltado para a área de Administração e Logística.

Sempre vi nos internatos militares uma boa oportunidade para ganhar a minha independência familiar e financeira. A origem pobre me estressava muito, aliás doía estudar uma manhã inteira de estômago vazio. Não era sempre que minha mãe solteira podia colocar pão na mesa para os 4 filhos. Cachorro quente na praça, só comíamos em situações especiais! Como era gostoso o gosto da salsicha com batata palha!! Era um sacrifício danado. As dificuldades financeiras foram, sem sombra de dúvidas, o meu maior combustível para querer mudar de vida! Eu desejava um dia poder querer comer o que eu quisesse e também queria um dia deixar de andar de ônibus circular lotado! 

Voltemos ao internato militar. Pessoal, a Academia do Exército foi então para mim uma bela oportunidade. Foi uma experiência de vida maravilhosa. Me recordo com saudades especialmente dos colegas de caserna, hoje grandes homens e pais de família. A AMAN, por si só, me deu grande experiência para administrar e planejar minhas atividades. Lá tínhamos atividades o tempo todo! Em determinadas semanas, de segunda a sexta-feira, tínhamos atividades pela manhã, tarde, noite e também pela madrugada! Lá o pôr do sol marcava apenas meia jornada, ou não marcava coisa alguma como muitos afirmavam hehe. Passávamos 3 ou 4 dias sem dormir, isso mesmo: era uma loucura, rs. Além do cansaço físico, também tínhamos que estudar o tempo todo. Porém, como falei, foi uma experiência maravilhosa, pois aprendi e amadureci muito neste internato que durou 4 anos. E, detalhe, lá não tinha mulher não! Pra gente namorar era difícil rs.

Em que pese a estabilidade financeira e profissional que a carreira no Exército me proporcionava, eu estava decidido que queria servir ao país de outra forma, numa boa carreira pública.

Em 2008 fiz o concurso para a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) para o cargo de Oficial de Inteligência. Na ocasião estudei por meio de apostilas (aquelas que têm 20 matérias em 100 páginas). Amadorismo total, sem comentários, rs. Ou seja, fui pro barro! Vamos para o próximo!

Em 2009, decidi que queria ser da Polícia Federal. Comprei uma apostila mais sofisticada (20 matérias em 150 páginas, rs) e consegui juntar alguns materiais que peguei da internet. Não foi a melhor estratégia, mesmo assim, consegui lograr classificação no concurso de Agente da Polícia Federal. Como dizia a Anita Poderosa: fiquei só “babando”. Fui aprovado e classificado em 236º, mas o concurso havia oferecido 200 vagas. Certamente, alguma coisa eu estava fazendo de errado e mais uma vez o resultado não apareceu.

Esse resultado me desanimou pra caramba. Fiquei muito mal, um pouco deprimido. Sentir o gostinho da aprovação e não ser chamado, as vezes é pior do que reprovar. Além disso, nesse momento minha vida pessoal estava tumultuada e algo trágico aconteceu: capotei o carro e fiquei um período hospitalizado. Eu sentia que estava sem forças, não conseguia reagir, não queria mais retomar os estudos.

Qual o melhor combustível para buscarmos a mudança!?? Sabem? Acredito que varia um pouco de pessoa para pessoa. No meu caso foi ódio! Essa é uma outra história. Vale tudo para se motivar viu colegas, desde que não prejudiquemos ninguém na vida, ok?

Continuando, glória a Deus, em 2010 minha filha nasceu, foi uma injeção de ânimo de vida e de tudo. Já estava pronto para recomeçar os estudos, com humildade, método e planejamento. Por incrível que pareça foi a partir daí que eu consegui me organizar melhor para os estudos. É claro que a rotina diária estava mais pesada, a responsabilidade era maior, e mesmo assim o estudo estava fluindo. Como dizia minha mãe: a necessidade faz o ladrão, rs. As contas estavam maiores, eu precisava ganhar um cascalho a mais.

Assim, em 2010 voltei aos estudos e fui logo aprovado nos concursos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e do Ministério Público da União, ambos para o cargo de Técnico Administrativo. Fui muito feliz nesses órgãos e fiz excelentes amizades. Perceba que deixei de ser oficial de carreira do Exército para ocupar um cargo de nível médio. Na ocasião, minha família e amigos acharam que eu só podia estar louco!

Na verdade, deixar o Exército foi uma estratégia pessoal de guerra, eu tinha objetivo claros e definidos. Nada ia me fazer parar! É claro que eu não podia rasgar meu diploma de nível superior da AMAN e, então, continuei estudando para algum cargo de nível superior. A maratona não foi fácil. Registro aqui que o apoio da família é fundamental. Teve ocasiões em que tive que estudar com áudio no ouvido e minha filhinha em cima das minhas costas dizendo: vai cavalinho, vai!!

Eu só dava chute fora: Analista Administrativo do TSE 2012 (classificado em 98º) e ISS-BH (classificado em 192º). Jamais iria ser chamado nesses concursos, pois poucas vagas foram oferecidas, e, como se sabe, a fila anda na velocidade da luz invertida quando se trata excelentes concursos. Mas sabia que estava no caminho certo e o gol não ia tardar.

Dito e feito, consegui o tão sonhado concurso de nível superior: em 2012, com uma boa dose de planejamento, disciplina e organização consegui ser aprovado para o cargo de Analista de Finanças e Controle da Controladoria Geral da União, com lotação em Brasília, atualmente o nome desse cargo está mais bonito: Auditor Federal de Finanças e Controle. Na CGU eu exercia atividades de Auditoria e Fiscalização na Coordenação-Geral das Áreas de Turismo e Esporte e sou extremamente grato pela experiência de vida e profissional que a CGU me proporcionou.

Comecei a perceber que a aprovação em concurso público não era tão difícil como imaginamos (depois que passa é fácil falar isso, né?! kkk). É inegável que exige muito sacrifício e dedicação, além, é claro, do tripé: planejamento, disciplina e organização. Acho que acrescentaria, ódio!! Ou gana!! Vontade!

Finalmente chegamos em 2013 e eu estava a todo o vapor estudando para o concurso do Tribunal de Contas da União (TCU). Na época o canto da sereia dizia que além de ser um órgão de excelência, a jornada de trabalho era bem flexível e eu admirava o trabalho em si. Porém, no meio do caminho foi lançado o Edital do concurso de Auditor Fiscal do Trabalho. Li o edital e o meu principal motivador foi a possibilidade de ser lotado em cidades do interior mineiro.

Mas vejam só, até antes do Edital eu não tinha dado um pingo de atenção ao concurso de AFT. A partir do Edital, lançado no início de julho/13, decidi me dedicar principalmente às matérias específicas. Eu tinha que correr contra o tempo. As provas objetivas estavam previstas para 08/setembro/13. Tive então meu primeiro contato com Direito do Trabalho, Direito Previdenciário, Direitos Humanos, Legislação Trabalhista, Segurança e Saúde do Trabalho e Economia do Trabalho. Foi uma loucura! Rs. Mas a essa altura do campeonato eu já tinha uma boa base e ritmo de estudos. Não me preocupei muito com as disciplinas básicas. Eu estava autoconfiante e já sabia que nenhum concurso pode ser visto como impossível, jamais.

Foquei especialmente em ciclos e mais ciclos de exercícios. Reforço mais uma vez que o apoio da família, da esposa, namorada ou companheira é extremamente importante, senão tudo pode ir por água abaixo. Além de perder o concurso, tu pode perder a mulher, rs.

Devido à rotina puxada de trabalho e estudos, eu estava vendo minha filha muito pouco, somente no período da noite. Eu já estava com medo dela me chamar de tio. Também estava com medo de ver o cachorro abanando o rabo para o meu vizinho. Cachorro abana o rabo quando está alegre, né?! Putz, rs.

Preciso destacar também que a maioria dos meus colegas aprovados em bons concursos tinham paralelamente uma rotina de trabalho. Ou seja, se você não tem o privilégio de ter todo o tempo livre para estudos, não se preocupe. A caminhada será um pouco mais árdua, mas não será isso que te deixará menos competitivo. Aliás, como já deixei claro, somente quando estamos fora da zona de conforto somos capazes de querer verdadeiras mudanças. Meu pai só ia ao médico quando estava muito doente. Meu irmão só procurava trabalho quando a grana do seguro desemprego acabava. E assim somos nós na vida! Precisamos estar fora do conforto para querer mudanças com mais vontade! Eu queria poder comer um cachorro quente na hora que eu quisesse!

Enfim, fui encarar a prova de Auditor Fiscal do Trabalho com sangue nos olhos! Rapaz, a sensação de ter o nome na lista de aprovados depois de uma longa e desgastante jornada de estudos é simplesmente indescritível. Eu simplesmente chorava pelos cantos de alegria e queria beber todas as cachaças do mundo. Fui aprovado em  47º colocado no concurso de AFT. Tivemos alguns contratempos com a banca organizadora do certame, mas no fim deu tudo certo. Até hoje estou comemorando a aprovação. Trata-se de um cargo maravilhoso. Se eu soubesse que era tão bom certamente teria me dedicado antes ao concurso de AFT!!

Pessoal, não quero jamais dizer nesse relato que eu sou o cara!! Coitado de mim! Quero apenas deixar claro que qualquer pessoa pode passar em bons concursos públicos. Já sai com bandeja de coxinhas e marmitas para vender em ruas e estádios de futebol, já capinei alguns quintais para levantar um trocado e já fui entregador de gás e água no mercado do bairro. A fome dói! Enfim, não podemos ficar lamentando as nossas dificuldades. Agradeça a Deus pela saúde e pela democracia dos concursos, procure materiais bons e baratos na internet tem de monte. Eu vibro com a democracia dos concursos, ela me encanta! Fulaninho do Sul ou Joãozinho do Norte podem competir em pé de igualdade a uma vaga na carreira pública. Talvez Joãozinho tenha que correr um pouco mais, mas ele consegue!!

Em outro momento falarei um pouco mais sobre a carreira de Auditor Fiscal do Trabalho! Carreira top ow! rs.

 

Grande abraço galera!

Kleber Peteá

www.supremaciaconcursos.com.br

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